EU DISSE : SIM…

Antes, existiu uma tensão, uma espécie de prólogo, algo grudado na musculatura, apertando. Uma barreira mental, emocional e física, presa a um julgamento: será que dou conta? Sou boa o bastante para realizar essa tarefa?

Depois, um alívio. Mãos à obra! A cada passo, nova tensão e novo alívio. Mas uma coisa boa, de completude.

Foi como descer num escorregador muito rapidamente e mergulhar em um mar de idéias , vislumbrando um caminho , segui-lo e clarear a paisagem através das letras, e de como colocá-las formando quadros que surgiam na minha cabeça.

O crítico, pela primeira vez foi a favor, não foi contra. Na angústia de não saber o rumo, êle estava lá, atento a cada rabisco. – Isso não, isso sim.. não faz sentido… A grande descoberta foi saber gestar com carinho, colocar para dentro e esperar surgir a luz e o texto aparecer do nada, trazendo consigo pedaços que estavam desconectados e que agora faziam sentido.

Desta vez foi como se eu soubesse que esta brincadeira era tão séria que poderia se tornar realidade. Poder expressar através de sentimentos, lembranças, personagens, algo que se reconstrói através da minha humanidade.

Então, vinha a angústia de não saber como, se estava pronto, se era inteligível, se…Nossa, que palavra difícil para algo tão simples! Seria aceita? Enfim… Esta era a verdade mais profunda… A crítica, àquilo que embota o criar dentro do fluxo da vida.

Agora, tudo acabado e pronto. Vou mandar. Será? Não falta nada?! Vou esperar mais um pouco… O incrível foi utilizá-lo de várias formas para poder estar em paz comigo mesma. Aceitar os detalhes e sentir, vai ser assim e pronto, não há mais nada a fazer senão enviar e esperar. Então, novamente aquela sensação de não ser bom o suficiente. Deus, o que será que elas vão entender? Será que vão gostar?

Não importa, sentia-me completa a cada vez que conseguia terminar e enviar. Foi a melhor parte! Depois, só alegria e criatividade!

O crítico disse: Não faça!

Eu disse: SIM!

Obrigada Roberta e Rachel pela oportunidade!

Maria Helena

Muralha do Cérebro

Meninas,

Meu crítico interno sempre falou muito alto. Tão alto quanto a muralha da China. De uma lado as minhas ideias e do outro a realização. Mas uma nunca consegue chegar do outro lado por conta da enorme muralha. Essas semanas de escrita foram, em verdade, uma tentativa de derrubá-la, de calar o crítico interno, mais do que o colocá-lo em prática. Levei em consideração tudo o que falaram, mas tentei não levar tão a sério… Acredito que a pessoa que escreve bem é a que consegue passar o que diz a alma e que tenha as técnicas introjetadas.

Sempre achei que escrevia bem no colégio. Quando fui fazer Jornalismo na PUC-Rio, encarei a escrita sob uma perspectiva muito diferente. Vi que me faltava técnica, senso crítico, polimento. Tive professores que odiei e depois amei profundamente, e foram com eles que mais aprendi. Tinha vontade de dar um tiro no Arthur Dapieve, mas ele se tornou um mestre para mim.  Saí pronta para escrever, mas nunca efetivamente fiz.

Começo um blog, um roteiro, um livro e paro. Leio e vejo comentários sobre criadores e como eles falam que aquilo era o que sabiam fazer, que era uma necessidade. No meu caso, sei fazer muitas outras coisas. Mas não consigo me comprometer com o que eu mais quero.  Não sei o que me falta. Comparo a minha escrita e as minhas ideias com o que existe no mercado e vejo que eu posso trabalhar com isso.

Bom, está na minha resolução de ano novo! Espero que se realize.

Priscila Menezes

Ninguém gosta de ouvir a própria voz

Dedicar algumas horas para treinar o lado crítico do cérebro tem sido um tanto especial. É como permitir que a razão e a emoção troquem experiências sem compromisso algum. É usar o passado como agente inspirador para descrever o presente. Ser capaz de inventar um esboço do futuro. É rir do que passou sem deixar de dar corda aos novos sonhos, mesmo que eles pareçam distantes. É encarar o mundo da fantasia com os pés no chão. É dar trela para imaginação. Se sentir viva.

Falar sobre os outros é relativamente fácil, quero ver julgar a si próprio. Dar espaço pra ouvir a própria voz. Aquela que nem sempre vai falar o que queremos ouvir. Quando você menos espera, ela te surpreende. Mudar a direção do próximo capítulo sem pedir licença, quiçá começando pela próxima linha.

Quer saber, vou alimentar esta nossa parceria criativa que nasceu na oficina me propondo a escrever pelo menos uma vez na semana. Eu tenho um blog, e embora ele seja mais focado em moda e beleza eu posso escrever sobre o que quiser. Gostei dessa pegada, de buscar o desconhecido, explorar sentimentos como terapia.

Mas como ninguém é de ferro, vamos tirar férias primeiro. Chega de lógica, vamos alimentar a mente de esperança para iniciar mais um ano com todo vapor.

Não que eu não queira te presentear com um pacote divino internacional querido, mas é que não estamos em condições financeiras no momento. Te prometo umas férias animadas, com um visual inspirador e muita ladainha daqueles nossos amigos de sempre. Garanto que pode servir ao menos como poesia para dar um start quantas vezes forem preciso.

Sabe o que eu descobri neste meio-tempo, que sou emotiva quando me entrego. Não basta escrever, tem que sentir. É escrever, ler, apagar, reescrever quando achar que não interpretou direito. É usar as palavras a seu favor, sem desmerecer a imensidão de vocabulários a nossa disposição. É não ter pressa para publicar, pois o texto dormido tem mais convicção. É ficar surpreso com a própria capacidade. Porque não? Não custa nada ouvir a própria voz de vez em quando.

Carolina Mendes

Amor e Luxúria

O ser humano é por essência individualista. Nem mesmo o sentimento mais puro, o amor, está livre disso. A gente se apaixona e ama uma pessoa pelo que ela nos oferece. Não em termos materiais, mas pelas virtudes, os valores, o respeito, companheirismo e carinho que ela vai ter por você, como ela te faz sentir.

Grande parte do amor romântico é o que expressamos com ele através do corpo: o coração bate mais forte, o toque, o paladar… Ano após ano, corpo com corpo, rotina, crises, felicidades e tristezas, a parceria passa por altos e baixos. Um dos elementos que pode fortalecer o sentimento e fazer com que ele se torne mais duradouro e real é dar espaço para a luxúria e a individualidade de cada ser que faz aquele casal.

Se há anos atrás eram repreendidos aqueles que perdiam a virgindade antes do casamento, hoje o ser humano está tendo que reaprender a se relacionar. O amor e a luxúria podem e devem andar lado a lado. Cada casal faz as suas regras com base no limite de cada um. Se amar é querer o bem, sem egoísmo e possessividade;  o amor supremo nos dias de hoje abre espaço para que seu parceiro possa se desnudar de preconceitos e experimentar uma catarse realizando seus desejos carnais. Nós vivemos sob muitas regras, mas ainda somos racionais e precisamos canalizar e expressar os nossos instintos. Há algo mais altruísta e delicioso do que aceitar e abraçaros instintos do seu parceiro?

A luxúria mantém o equilíbrio do convívio social, na medida de que conseguimos canalizar os instintos mais selvagens, a quebra de regras, o descontrole, o proibido; entre quatro paredes. E nada melhor do que ter um parceiro nessa aventura!

 

Priscila Menezes

Preguiça descontrolada

Faltam poucos dias para 2014 acabar. Está todo mundo em ritmo acelerado adiantando suas tarefas para enfim tirar umas férias, mesmo que curtas, aposto. Mas eu não, não quero parecer superior a ninguém.

Trabalhar mais, sem ganhar hora extra, só para entregar mais resultados do que o esperado no fim do expediente é assegurar que está sempre à frente da equipe inteira e não quero me colocar desta forma. É lógico que é bom se destacar dos demais, mas também pode ser muita pretensão para tão pouco tempo de empresa.

Bom mesmo é deitar na rede da varanda lá da praia, jogar os pés para o alto e sentir o vento batendo na pontinha dos pés. Acompanhada ou não, é sempre aquele leve balanço. Só de ouvir a maresia já sinto uma mudança de espírito. Uma positividade pairando no ar.

Chega uma hora que deixa de ser um luxo e passa a ser uma necessidade satisfazer os próprios desejos de não fazer nada. Quem nunca fez de um pequeno ambiente uma maratona. Do sofá para cama, da cama para rede, da rede para o banheiro, do banheiro pra cozinha. Só que neste esporte não existem regras. Aliás, também não existem obstáculos, desafios, tarefas. Perfeito é quando alguém vem perguntar se estou precisando de alguma coisa, assim eu não preciso nem me locomover.

Quando ponho meus pensamentos voltados para o meu interior, me sinto útil e orgulhosa da fertilidade dos meus pensamentos. No entanto quando penso em colocá-los em prática sempre acabo procrastinando, o que também não é nada mal. Deus que me livre ser uma pessoa mais pra frente do que toda minha geração.

Tem quem jure que é preguiça, mas prefiro aceitar que fui predestinada à vida que tenho. O doutor prescreveu ter mais diligência, entretanto não apresento tal habilidade.

 Carolina Mendes