* trechos de livros que andam por aí (xvi)

Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma.Até cortar os defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro…há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo.Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu…Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões – cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força.Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você – não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer.Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão.Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma.

Clarice Lispector (1947 Berna – Suiça /Carta à irmã)

= como você escreve?

O Wall Street Journal fez uma matéria com diferentes autores a partir da pergunta do título. Vale conferir, aqui.

= a biblioteca particular de Cortázar

Aurora Bernárdez, viúva e herdeira do escritor argentino Julio Cortázar, doou, em 1993 à Fundación Juan March a biblioteca pessoal do escritor: mais de quatro mil volumes, encontrados em sua residência na rue Martel, em Paris, onde viveu seus últimos anos: livros de arte, antigas edições de clássicos, livros de poesia em inglês e francês, dicionários, e também edições de suas próprias obras no original e em diferentes traduções.

Os livros de Cortázar é uma exposição reunida e comentada por Jesús Marchamalo que reúne uma seleção dos livros de Julio Cortázar, e que nos diz muito sobre sua personalidade, gostos, inclinações, afinidades e amizades literárias. Trilhar pelas escolhas e anotações do escritor, as dedicatorias, notas cariñosas e os marcadores de página abandonados entre as folhas de um livro é uma viagem, apenas aparentemente, pequena, mas revela muito do que ainda deixou por dizer essa personalidade das letras universais.

Dá pra navegar um pouco pela coleção por aqui.

= diga-me o quê escreves e te direi quem és?

Você é aquilo que escreve?
Na Alemanha, um programa de computador é usado para revelar a
personalidade dos autores de textos

Há duas décadas ele procura em textos informações sobre a personalidade de seus autores sem nem mesmo analisar a sintaxe ou compreender nuances de significado. Detalhe: ele sequer chega a ler o que foi escrito. Em vez disso, baseia-se na contagem de palavras. Não se discute que a personalidade de uma pessoa também se manifesta em sua linguagem. Escritores buscam há tempos a forma de expressão mais adequada para seus personagens. Há cerca de um século o criador da psicanálise, Sigmund Freud, mostrou que o inconsciente se revelava no lapso de fala. Pessoas com uma boa percepção linguística que conhecem variados estilos muitas vezes conseguem identificar
a autoria de uma obra, lendo apenas poucas linhas. Mas será possível mensurar palavras de um texto por meio de estatística e, com isso, obter um perfil do autor?

Para continuar a ler esta matéria que saiu na última edição da Viver Mente & Cérebro, clique aqui.

# blog da cultura

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Um bom site para passear quando se quer informação interessante é o blog da Livraria Cultura. Só clicar aqui, ó.