# silêncio, por favor

vidasimples

Para o neurocientista Iván Izquierdo, há ruídos demais no mundo. E, para saber diferenciar no meio da balbúrdia o que faz diferença, só usando o que se aprende desde pequeno: o bom senso. Ou cantar como Balu, o urso que adora aproveitar a vida no filme  Mogli: “Eu digo o necessário, somente o necessário. Por isso que nessa vida eu vivo em paz”. Aos 71 anos, o coordenador do Centro de Pesquisas da Memória da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, e hoje pesquisando “basicamente o que faz com que as memórias persistam por mais tempo”, como diz, Izquierdo defende a necessidade de fazer escolhas – para escapar de tanto ruído. E sabe do que fala. Ele é autor do livro Silêncio, por Favor, no qual analisa a sociedade contemporânea e os ruídos – os mais variados possíveis – que atrapalham a qualidade de vida. O médico e pesquisador argentino, radicado no Brasil desde 1973, chama a atenção pela produção nada silenciosa: 630 artigos publicados, a maioria sobre a memória, e 18 livros. O mérito consiste em mesclar ciência e humanismo em boa parte de suas obras. Em uma sala coberta de publicações, ele conta, após desligar um rádio, que usa há dez anos aparelho auditivo. “Mas só em um ouvido”, faz questão de reforçar.

Aqui você continua lendo a matéria, que foi publicada na edição deste mês da revista Vida Simples.

# quando o remédio é escrever (mente & cérebro)

vivermente

A busca por uma vida mais saudável pode ser um dos motivos do enorme aumento do número de blogs. Estima-se que sejam cerca de 3 milhões por todo o planeta. Cientistas e escritores há anos conhecem os benefícios terapêuticos de escrever sobre experiências pessoais, pensamentos e sentimentos…” (para continuar a ler a matéria no site da Viver Mente & Cérebro, clica aqui!)

* trechos de livros que andam por aí (xi)

Morelliana.

Por que escrevo isto? Não tenho idéias claras, sequer tenho idéias. Há trapos, impulsos, bloqueios. E tudo procura uma forma, então entra em jogo o ritmo e eu escrevo dentro desse ritmo, escrevo por ele, movido por ele e não pelo que chamam de pensamento e que faz a prosa, a literatura ou outra coisa. Há primeiro uma situação confusa, que mal pode se definir pela palavra; é dessa penumbra que eu parto e, se aquilo que quero (se aquilo que quer dizer-se) tiver força suficiente, o swing começa imediatamente, um oscilar rítmico que me traz para a superfície, que ilumina tudo, que conjuga esta matéria confusa e o que a castiga numa terceira instância, clara e como que fatal: a frase, o parágrafo, a página, o capítulo, o livro. Esse oscilar, esse swing, no qual se vai informando a matéria confusa, é a única certeza, para mim, da sua própria necessidade, pois, tão logo cessa, compreendo que já mais nada tenho para dizer. É também a única recompensa do meu trabalho: sentir que aquilo que escrevi é como o dorso de um gato sob a carícia, com fagulhas e um arquear cadencioso. Assim, ao escrever, desço ao vulcão, aproximo-me das Mães, entro em contato com o Centro, seja o que for. Escrever é desenhar o meu mandala e, ao mesmo tempo, guardá-lo para mim, inventar a purificação, purificando-se; tarefa que compete a um pobre xamã branco com meias de náilon.

(Julio Cortázar, in O Jogo da Amarelinha)

* I Laboratório de Textos – inscrições abertas

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2009 começou agorinha e já estão abertas as inscrições para a primeira turma virtual do Laboratório de textos da Terapia da Palavra , que começa no próximo dia 10 de fevereiro.

Este novo módulo é totalmente independente – e diferente – dos anteriores e o único pré-requisito para estar nele é vontade de escrever, pouca preguiça e muita disposição.

I Laboratório de Textos da Terapia da Palavra – Turma Virtual
Início das aulas – 10 de fevereiro de 2009
Forma de pagamento – até 2x no cheque pré-datado (se você for de outra cidade que não o Rio de Janeiro, escreve pra nós e combinamos direitinho um jeito de você participar)
Investimento –  2 x R$ 125,00 ou R$ 200,00 à vista (20% de desconto).

Se interessou? Entra em contato com a gente pelo e-mail terapiadapalavra@gmail.com.

Até breve e bom ano novo pra todo o mundo!

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Ah, e, aproveitando, a Piauí já colocou a frase ‘tema’ para o seu próximo concurso literário. Freud ajuda, vejam só:

“Eu gostaria que meu pai ou minha mãe, ou os dois, já que ambos tinham a mesmíssima responsabilidade, houvessem refletido sobre o que estavam fazendo quando decidiram me conceber.”

Em tempo: a frase é do Laurence Sterne (in A Vida e as Opiniões do Cavaleiro Tristram Shandy). Boa sorte – e mãos à obra, pessoal!