¡ cartas de amor ridículas !

Uma ótima crônica de Eliane Brum sobre cartas de amor; ridículas, naturalmente:

Meu pai fez 80 anos. Queríamos dar a ele um presente que fosse mais do que algo que ele pudesse usar. Um que não servisse para nada, a não ser para a vida. Decidimos fazer um livro com cartas de amor. Não as cartas do passado, trocadas entre ele e minha mãe, mas as cartas do presente, que todos escreveriam. Cartas de amor dos filhos, dos netos, da companheira de toda uma vida. Dos sobrinhos mais próximos, dos amigos mais queridos, dos alunos e companheiros de trabalho com quem compartilhou seus ideais mais caros. Cartas de amor, enfim, escritas por quem havia testemunhado sua vida – e se transformado pela sua vida. Só havia uma regra para as cartas de amor: elas tinham de ser ridículas.

A recomendação veio da querida Cássia Pires, do Carambolas Azuis.

# Daniel Galera

Um dos autores brasileiros mais promissores da atualidade é o Daniel Galera. Para conhecer um pouco mais seu trabalho, visite o site ranchocarne. Lá você encontra, inclusive, o link para fazer o download de “Dentes Guardados”, entre outras coisas interessantes.

Abaixo, um trecho de uma entrevista concedida pelo autor à revista Aplauso:

“… Em essência, nada é real. A nossa percepção de mundo e a de nós mesmos são só uma versão das coisas. Estão baseadas em uma espécie de narrativa tirada de algum lugar. Há níveis de crença nessa versão. Talvez esses níveis de crença separem o que é realidade do que não é.”

Para conferir, clique aqui.

* trechos de livros que andam por aí (xviii)

” Cada qual tem seus encontros simbólicos ao longo da vida. Alguns são ilustres, por exemplo o que se deu no caminho de Damasco,  ou aquele outro em que alguém de repente se deparou com uma maçã que caía, e até aquele, fortuito, de uma máquina de costura com um guarda-chuva em cima de uma mesa de dissecação. Encontros assim, que projetam os Newton, os Lautréamont e os São Paulo à imortalidade, não acontecem com os pobres cronópios que tendem mais a encontrar a sopa fria ou ma centopeia na cama…”

(In “Um cronópio no México“, de Papéis Inesperados, Julio Cortázar,  Ed. Civilização Brasileira)