* trechos de livros que andam por aí (xxiii)

Êêêê…

O trecho está grifado no livro. Nele, o professor Schianberg dá voz a Nietzsche – “Há sempre um pouco de loucura no amor, mas há sempre um pouco de razão na loucura” -, para depois contestá-lo, lembrando que na loucura dos amores contrariados não há espaço nenhum para mais razão, apenas para mais loucura.

O menino volta a esticar as pernas na escada. Ouvimos o apito de um barco no rio, um som melancólico. Como um pio de mau agouro. Mas não tenho por que sentir medo agora. Sou um homem sem medo, o que é bem raro aqui neste lugar.

In “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios“, de Marçal Aquino, Editora Cia. das Letras.

O zen e a arte da escrita (Ray Bradbury)

Selecionamos um pequeno trecho do livro “O Zen e a arte da escrita” pra vocês. Esperamos que gostem!

“… Foi apenas quando comecei a descobrir os prazeres e as dores que surgiam com a associação de palavras que comecei a encontrar um caminho seguro através do campo minado da imitação. Finalmente, descobri que, se você vai pisar numa mina, que seja a sua própria mina. Deixe-se explodir, como deve ser, pelos seus próprios prazeres e desesperos.

Comecei a fazer notas curtas e descrições de amores e ódios. Em meus vinte e um anos, perambulei pelas tardes de verão e meias-noites de outubro, farejando que havia algo nas estações claras e escuras que realmente era eu.

Finalmente, encontrei esse algo numa tarde, aos vinte e dois anos. Escrevi o título “O lago” na primeira página de uma história que terminou sozinha duas horas depois. Duas horas depois de eu estar sentado diante de minha máquina de escrever, na varanda ao sol, com lágrimas pingando da ponta do nariz e os pelos do pescoço arrepiados.

Por que os pelos arrepiados e o nariz escorrendo?

Percebi que, enfim, tinha escrito uma história realmente boa. A primeira, em dez anos de escrita. E não apenas era uma boa história, como também algo híbrido, algo beirando o novo. Não era apenas uma história de fantasmas tradicional, mas uma história sobre amor, tempo, lembrança e afogamento.”

Para ler o conto “O lago” é só clicar aqui.