O zen e a arte da escrita (Ray Bradbury)

Selecionamos um pequeno trecho do livro “O Zen e a arte da escrita” pra vocês. Esperamos que gostem!

“… Foi apenas quando comecei a descobrir os prazeres e as dores que surgiam com a associação de palavras que comecei a encontrar um caminho seguro através do campo minado da imitação. Finalmente, descobri que, se você vai pisar numa mina, que seja a sua própria mina. Deixe-se explodir, como deve ser, pelos seus próprios prazeres e desesperos.

Comecei a fazer notas curtas e descrições de amores e ódios. Em meus vinte e um anos, perambulei pelas tardes de verão e meias-noites de outubro, farejando que havia algo nas estações claras e escuras que realmente era eu.

Finalmente, encontrei esse algo numa tarde, aos vinte e dois anos. Escrevi o título “O lago” na primeira página de uma história que terminou sozinha duas horas depois. Duas horas depois de eu estar sentado diante de minha máquina de escrever, na varanda ao sol, com lágrimas pingando da ponta do nariz e os pelos do pescoço arrepiados.

Por que os pelos arrepiados e o nariz escorrendo?

Percebi que, enfim, tinha escrito uma história realmente boa. A primeira, em dez anos de escrita. E não apenas era uma boa história, como também algo híbrido, algo beirando o novo. Não era apenas uma história de fantasmas tradicional, mas uma história sobre amor, tempo, lembrança e afogamento.”

Para ler o conto “O lago” é só clicar aqui.

Iniciativas como a Terapia da Palavra ganham respaldo da medicina

Coisa pra se comemorar. Saiu, na edição independente da Isto É desta semana, uma matéria que mostra o embasamento científico da prática da escrita sobre a cura de experiências traumáticas. Claro que a gente já sabia disso quando criou a Terapia da Palavra, mas ver o trabalho reconhecido é bom demais!

Para ler o texto na íntegra, clique aqui!

¡ cartas de amor ridículas !

Uma ótima crônica de Eliane Brum sobre cartas de amor; ridículas, naturalmente:

Meu pai fez 80 anos. Queríamos dar a ele um presente que fosse mais do que algo que ele pudesse usar. Um que não servisse para nada, a não ser para a vida. Decidimos fazer um livro com cartas de amor. Não as cartas do passado, trocadas entre ele e minha mãe, mas as cartas do presente, que todos escreveriam. Cartas de amor dos filhos, dos netos, da companheira de toda uma vida. Dos sobrinhos mais próximos, dos amigos mais queridos, dos alunos e companheiros de trabalho com quem compartilhou seus ideais mais caros. Cartas de amor, enfim, escritas por quem havia testemunhado sua vida – e se transformado pela sua vida. Só havia uma regra para as cartas de amor: elas tinham de ser ridículas.

A recomendação veio da querida Cássia Pires, do Carambolas Azuis.

# RTP entrevista Rosa Montero

Leitores são “necessários e essenciais para o escritor”
** Ana Nunes Cordeiro, da Agência Lusa **

rosa

Em Lisboa para apresentar o seu novo romance, “Instruções para Salvar o Mundo”, publicado pela Porto Editora, a romancista falou da sua relação com a escrita, cinco anos depois de ter lançado “A Louca da Casa”.

A escritora espanhola Rosa Montero considera que “a maior recompensa é ter leitores” e que estes são “necessários e essenciais para o escritor”.

Segundo a escritora, “a História da Literatura está cheia de escritores que perderam os leitores, que fracassaram por qualquer razão. Se calhar, escritores muito bons, mas que na sua época não foram lidos e que enlouqueceram e passaram o resto da vida num hospital psiquiátrico ou se suicidaram”, disse em entrevista à Lusa.

Para continuar lendo a entrevista de Rosa Montero a RTP – que tem uns toques ótimos, diga-se – clique aqui.