As palavras – José Saramago

As palavras são boas. As palavras são más. As palavras ofendem. As palavras pedem desculpa. As palavras queimam. As palavras acariciam. As palavras são dadas, trocadas, oferecidas, vendidas e inventadas. As palavras estão ausentes. Algumas palavras sugam-nos, não nos largam: são como carraças: vêm nos livros, nos jornais, nos «slogans» publicitários, nas legendas dos filmes, nas cartas e nos cartazes. As palavras aconselham, sugerem, insinuam, ordenam, impõem, segregam, eliminam. São melífluas ou azedas. O mundo gira sobre palavras lubrificadas com óleo de paciência. Os cérebros estão cheios de palavras que vivem em boa paz com as suas contrárias e inimigas. Por isso as pessoas fazem o contrário do que pensam, julgando pensar o que fazem. Há muitas palavras.

José Saramago

= o conto da ilha desconhecida

Aqui, um dos meus textos preferidos de Saramago.

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~ saramago

Hoje o mundo perdeu o escritor português José Saramago.

Embora o blog “Outros cadernos de Saramago” fosse, já há algum tempo, alimentado pela Fundação Saramago, ainda não se sabe se continuará a ser atualizado.

O texto postado hoje, foi o seguinte:

“Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.” (Revista do Expresso, Portugal, 11 de Outubro de 2008)

É certo, entretanto, que agora faltará à sociedade atual Saramago. E boa coisa é que isso não pode ser.